Todos os 224 municípios do Piauí apresentam algum nível de seca, segundo o boletim de agosto do Monitor de Secas. É a primeira vez neste ano que o mapa aponta a ocorrência do fenômeno em todo o território piauiense.
O levantamento também registra o avanço da intensidade da seca em parte do estado. A categoria de seca grave (S2), que não aparecia no boletim de julho, passou a atingir áreas de 22 municípios, principalmente no Sudeste e no extremo Sul do Piauí, próximos às divisas com Pernambuco e Bahia.
Segundo a meteorologista da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Sônia Feitosa, o cenário mudou em relação ao mês anterior.

“No mês de julho, a seca no estado do Piauí tinha duas categorias, que eram seca fraca e seca moderada, e o extremo norte não apresentava nenhuma categoria de seca. Entretanto, no mês de agosto, o retrato já é outro”, afirmou.
O Monitor de Secas utiliza cinco níveis de classificação, que vão da seca fraca (S0) à seca excepcional (S4). Em agosto, 99 municípios piauienses apresentaram áreas com seca fraca, 151 tiveram áreas classificadas com seca moderada e 22 registraram seca grave. Nenhum município apresentou seca extrema ou excepcional.
Os números das três categorias somam mais de 224 porque um mesmo município pode ter diferentes níveis de seca dentro de seu território. Essa situação ocorre em 48 municípios. Em Simões, por exemplo, 55,9% da área está classificada com seca moderada e 44,1% com seca grave.
A seca moderada é a condição com maior abrangência entre os municípios piauienses. Em Teresina, 100% do território aparece na categoria de seca fraca.
Quatro municípios estão totalmente em seca grave
Dos 22 municípios que apresentam áreas em situação de seca grave, quatro estão com 100% do território enquadrado nessa categoria: Betânia do Piauí, Dirceu Arcoverde, Fartura do Piauí e Júlio Borges. Em Acauã, o percentual chega a 99,4%.
Também apresentam áreas em seca grave os municípios de Avelino Lopes, Capitão Gervásio Oliveira, Coronel José Dias, Cristalândia do Piauí, Curimatá, Curral Novo do Piauí, Dom Inocêncio, Lagoa do Barro do Piauí, Morro Cabeça no Tempo, Parnaguá, Paulistana, Queimada Nova, São Lourenço do Piauí, São Raimundo Nonato, Sebastião Barros, Simões e Várzea Branca.
De acordo com a classificação do Monitor de Secas, o nível S2 está associado à possibilidade de perdas de culturas ou pastagens, escassez de água e adoção de restrições de uso. As categorias S2, S3 e S4 são classificadas como eventos raros, com tempo de retorno superior a dez anos.
Calor, baixa umidade e ventos agravam situação
Agosto faz parte do período de estiagem no Piauí. Segundo Sônia Feitosa, as altas temperaturas, a baixa umidade relativa do ar e a maior frequência dos ventos contribuíram para o agravamento da seca.
“O mês de agosto foi bastante quente, marcado por altas temperaturas, por baixa umidade relativa do ar, e é quando se iniciaram aqueles ventos que se tornaram mais frequentes”, explicou.
Essas condições favorecem a evaporação e a evapotranspiração, acelerando a perda de água do solo e da vegetação e afetando as reservas hídricas.
“Aumenta a condição de seca, faz diminuir os reservatórios, as nossas reservas hídricas. A saúde da vegetação é também prejudicada quando resseca toda aquela vegetação, os animais passam por necessidade também”, afirmou a meteorologista.
Seca aumenta condições favoráveis a incêndios
A situação também contribui para deixar a vegetação mais suscetível à propagação do fogo. Segundo Sônia Feitosa, a seca grave está relacionada ao aumento do risco de incêndios florestais.
No boletim divulgado na terça-feira (15) pela Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos (Sampece), o Piauí registrava 40 focos de fogo ativos e 55 focos de calor sob monitoramento. Cinco ocorrências estavam classificadas como de maior criticidade operacional.
Monitoramento é realizado mensalmente
O Monitor de Secas é atualizado mensalmente. A Semarh acompanha as condições climáticas do Piauí e participa da elaboração do mapa estadual a partir de indicadores relacionados à intensidade e à distribuição da seca.
As informações são integradas aos dados dos demais estados participantes e consolidadas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) no mapa nacional.
O boletim apresenta a distribuição geográfica da seca, comparações com períodos anteriores e a relação dos municípios atingidos em cada categoria. Os dados auxiliam o acompanhamento dos recursos hídricos e o planejamento de medidas relacionadas aos períodos de estiagem.





