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Tubarões estão desaparecendo e fenômeno deixará ‘enorme buraco’ nos oceanos, diz relatório

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A sobrepesca global causou o desaparecimento de mais de 70% dos exemplares de algumas espécies de tubarões e raias, um “enorme buraco” na vida dos oceanos de consequências desconhecidas, alertou nesta quarta-feira (27) um relatório.

O declínio de espécies como o tubarão-martelo ou a arraia-manta é preocupante.

Outros, como o tubarão oceânico, estão à beira da extinção. Os pescadores procuram por suas barbatanas, que são muito valorizadas na culinária. Em 60 anos, sua população caiu 98%.

“É um declínio pior do que o da maioria dos grandes mamíferos terrestres e semelhante ou igual ao da baleia azul”, disse à AFP o professor Nick Dulvy, do departamento de Ciências Biológicas da Universidade Canadense Simon Fraser.

Sua equipe coletou e analisou dados para produzir um retrato confiável de 31 espécies de tubarões e raias.

Três quartos estão em perigo de extinção.

“Sabíamos que a situação era ruim em muitos lugares, mas isso veio de vários estudos e relatórios, era difícil ter uma ideia da situação global”, o cientista Nathan Pacoureau, que co-assinou o estudo publicado na Nature, explicou à AFP.

“Revelamos … um risco crescente de extinção para grandes espécies nos maiores e mais isolados habitats do planeta, que muitas vezes pensamos estar protegidos da influência humana”, disse Pacoureau à AFP.

“Os dados revelam um buraco enorme e crescente na vida do oceano”, denunciam os especialistas, que pedem o fim da pesca excessiva.

Para as 18 espécies para as quais há mais dados disponíveis, os pesquisadores estimam que suas respectivas populações tenham caído mais de 70% desde 1970.

Os resultados surpreenderam os especialistas, explica Pacoureau.

Além do tubarão do oceano, o tubarão-martelo comum e o martelo gigante chegaram a uma situação crítica: suas populações caíram mais de 80%.

Tubarões e raias são espécies particularmente vulneráveis porque crescem lentamente e se reproduzem pouco.

De acordo com o estudo, o uso de palangres e redes de cerco dobrou em cinquenta anos, capturando a vida marinha sem discriminação.

E os órgãos regionais que regulam as empresas internacionais de pesca “não listaram a proteção de tubarões e raias como uma prioridade”, disse Pacoureau.

Aplicar regras de proteção funciona, e um exemplo disso está no grande tubarão branco, espécie lendária que voltou às águas americanas, explica o especialista.

Da AFP

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