Mais um ministro do STF vota para responsabilizar redes sociais por conteúdo criminoso

-

Da mesma maneira que o ministro Dias Toffoli, Luiz Fux defendeu que a remoção de conteúdos considerados ofensivos ou irregulares deve ser imediata, assim que a vítima notificar a plataforma.

O STF – Supremo Tribunal Federal retomou nesta quarta-feira (11) o julgamento sobre o Marco Civil da Internet. O ministro Luiz Fux votou pela responsabilização das redes sociais e empresas de tecnologia pelo conteúdo que publicam.

Essa foi a quinta sessão de julgamento. Os ministros discutem dois recursos sobre a validade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, em vigor desde 2014. O artigo diz que as redes sociais e plataformas digitais só são responsabilizadas por danos causados por conteúdos ofensivos publicados por usuários se elas se negarem a obedecer a uma decisão judicial determinando a remoção do conteúdo.

Na semana passada, o ministro Dias Toffoli, relator de uma das ações, votou para considerar inconstitucional o artigo 19. Toffoli defendeu que, nos casos de conteúdos ofensivos ou ilícitos, como racismo, as plataformas digitais devem agir a partir do momento em que forem notificadas de forma extrajudicial. Ou seja, pela vítima ou seu advogado, sem necessidade de aguardar uma decisão judicial.

Carlos Moura/SCO/STF

O ministro defendeu ainda que, em situações graves, as plataformas devem retirar o conteúdo mesmo sem a notificação extrajudicial. Toffoli entendeu que, se as plataformas digitais deixarem de agir, passam a ser responsabilizadas.

Nesta quarta-feira (11), foi a vez de o ministro Luiz Fux votar. Relator da outra ação, Fux também considerou que o artigo 19 do Marco Civil fere a Constituição. Da mesma maneira que Toffoli, Fux defendeu que a remoção de conteúdos considerados ofensivos ou irregulares deve ser imediata, assim que a vítima notificar a plataforma.

“O que diz a Constituição de 1988 nos direitos fundamentais, em cláusula pétrea? São invioláveis a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. Entendo que não se compatibiliza com a Constituição um regime de responsabilidade civil que exonere amplamente as empresas provedoras de aplicações de internet de atuarem, no limite de suas possibilidades, para a preservação de direitos fundamentais lesados em decorrência de conteúdos postados em suas plataformas. Principalmente quando são pré-avisadas. ‘Tira isso, que isso é violador’. Notificada. Comprovada”, disse o ministro Luiz Fux.

No voto, o ministro Luiz Fux defendeu que serão considerados ilícitos os conteúdos que veiculem discurso de ódio, racismo, pedofilia, incitação à violência, apologia à abolição violenta do estado democrático de direito e apologia a golpe de Estado; que as plataformas sejam responsabilizadas caso não ajam após notificação extrajudicial; que as empresas criem canais para receber denúncias sob sigilo; e que as empresas devem monitorar ativamente os conteúdos publicados.

Fux também rebateu o argumento de que a remoção de conteúdo ilícito pelas empresas fere a liberdade de expressão na internet:

“O direito fundamental à liberdade de expressão impõe que se garanta a provedores de internet imunidade civil por conteúdo por terceiros? Ou seja, eu não tenho nada com isso? Olha que zona de conforto. A plataforma chega e diz assim: ‘não, eu não tenho condições, não tem como tirar. Não tem como tirar, deixa isso aí. Isso é para garantir a liberdade dos negócios’. E como é que garante a liberdade dos negócios? Degrada uma pessoa. Mas por que que isso garante o aumento dos negócios? Porque isso circula. Isso viraliza. E quanto mais cliques na viralização da degradação, aparecem mais anúncios. Rende mais dinheiro”.

O julgamento foi interrompido após o voto. O presidente do Supremo, ministro Luís Roberto Barroso, marcou a continuação da análise para a semana que vem, véspera do recesso do Judiciário.  Como ainda faltam nove votos, com apenas duas sessões, tudo indica que o julgamento só vai terminar em 2025.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
CAPTCHA user score failed. Please contact us!

Posts Recentes

Criança autista fica sem tratamento após clínica conveniada à Humana Saúde ter atendimento suspenso, relata mãe

Suspensão de clínica deixa criança autista sem tratamento contínuo. Uma mãe denunciou a interrupção do atendimento especializado de sua filha,...

Áudio falso que atribui apoio de Dr. Pessoa a Joel Rodrigues alerta para os perigos da desinformação no Piauí

Conteúdo gerado por IA amplia desinformação e confunde eleitores nas redes sociais Edição Coluna Giro 360 Neste sábado (21), o portal...

PSD de Georgiano Neto mira eleição de bancada com seis deputados na Alepi

Após fim das negociações com o MDB, partido lança chapa própria para ampliar representatividade nas eleições estaduais do Piauí. Edição...

Deputado Júlio César destina mais de R$ 455 milhões em emendas para fortalecer municípios do Piauí

Deputado federal reforça investimentos em saúde, agricultura, infraestrutura e programas sociais, fortalecendo as bases municipais no Piauí. Por Redação da...

Semana Santa: confira oito destinos para aproveitar o feriado no Piauí

Com a proximidade do período, o estado oferece roteiros que combinam celebrações tradicionais, cultura e contato com a natureza. Com...

Piauí Esporte Clube conquista bicampeonato piauiense e levanta troféu em noite de casa cheia

A equipe garantiu o bicampeonato ao empatar em 0 a 0 com o CAP O Piauí Esporte Clube (PEC) é...

Senador Ciro Nogueira inaugura obras e anuncia mais recursos para Francisco Ayres

Em Francisco Ayres, ao lado da prefeita Eugenia Nunes,...

Alunos da Rede Municipal de Ensino de Floriano são premiados na OBMEP

Para o secretário de Educação de Floriano, Nylfrânyo Ferreira,...

Você também pode gostar
Recomendado para você