Presidente americano ameaçou destruir parte da população do Irã mas voltou atrás após mediação do Paquistão. Guerra completa 40 dias nesta quarta-feira (8).
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira (7) que adiou por duas semanas o ultimato contra o Irã e disse ter condicionado a medida à abertura completa do Estreito de Ormuz. Teerã confirmou o acordo que permitirá a reabertura do canal por um período inicial de duas semanas.
Trump havia dado até as 21h desta terça-feira para que o Irã chegasse a um acordo com os Estados Unidos e reabrisse a rota, por onde passa grande parte do petróleo mundial. No início do dia, ele afirmou que uma “civilização inteira” iria morrer com os ataques previstos para esta terça.

Essa foi a mais grave ameaça desde o início da guerra e deixou o mundo em tensão nas 10 horas que seguiram o anúncio.
Desde os primeiros dias de conflito, o presidente dos EUA vem declarando a vitória de seu governo sobre o regime iraniano, mas o Irã segue fazendo ataques em retaliação e afirma que não irá se render.
Algumas horas antes da ameaça de Trump, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que milhões de iranianos estavam “prontos para se sacrificar” pelo país.
“Mais de 14 milhões de iranianos valentes já declararam, até este momento, estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo alguém disposto a dar a vida pelo Irã”, afirmou Pezeshkian em publicação no X.
Confira a cronologia de terça-feira, um dos dias mais tensos desde o início da guerra:
A ameaça de Trump
- 9h06 – Trump publica ameaça na rede social Truth Social.
Na manhã da terça-feira, por volta das 9h, Trump fez a mais grave ameaça desde o início da guerra entre EUA-Israel e Irã. “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”, escreveu o presidente em uma publicação no Truth Social.
O presidente dos EUA deu prazo até as 21h (horário de Brasília) da terça-feira para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo, fechada por Teerã em resposta a ataques dos EUA e de Israel.
"Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!", afirmou.
Irã reage e afirma que ameaça pode causar genocídio
Amir-Saeid Iravani, representante de Teerã na ONU, afirmou que as ameaças de Trump “constituem incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio”.
Durante uma sessão do Conselho de Segurança sobre o Estreito de Ormuz, Iravani instou a comunidade internacional a denunciar a retórica de Trump antes que seja tarde demais.
"O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais", disse ele.
EUA fazem novos bombardeios contra ilha de Kharg
A Ilha de Kharg, responsável por 90% do petróleo exportado pelo Irã, foi bombardeada novamente pelos Estados Unidos na terça. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, confirmou o ataque, denunciado pelo Irã e reportado por agências de notícias e a imprensa norte-americana.
Políticos dos EUA, ONU e Papa reagem à ameaça de Trump
A fala de Trump gerou uma onda de reações por parte de políticos Democratas e Republicanos, a Secretaria-Geral da ONU e até o papa Leão XIV.
- Secretário-geral da ONU está ‘muito preocupado’
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou sua preocupação com a ameaça do presidente Donald Trump.
“O secretário-geral está muito preocupado com as declarações que ouvimos ontem e novamente esta manhã, declarações que sugerem que todo um povo ou toda uma civilização poderiam ser obrigados a suportar as consequências de decisões políticas e militares”, afirmou o porta-voz Stéphane Dujarric.
- Aliados políticos de Trump se colocam contra a escalada de ataques
O senador Ron Johnson, do partido republicano (o mesmo que Trump), afirmou que não apoia um possível bombardeio americano contra infraestrutura civil iraniana. “Acho que seria um grande erro”, disse.
O influente podcaster de direita Tucker Carlson também criticou a possibilidade de escalada militar, afirmando que autoridades americanas deveriam resistir a qualquer tentativa de ataques em massa que possam matar civis iranianos.
- Democratas rechaçam ameaça
O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, do partido democrata, chamou Trump de “uma pessoa extremamente doente” após o presidente afirmar que “uma civilização inteira morrerá”.
Na Câmara, a liderança democrata pediu o retorno imediato dos parlamentares a Washington para votar o fim da guerra com o Irã.
Além disso, a ex-vice-presidente dos EUA Kamala Harris chamou as ameaças de Donald Trump contra o Irã de “abomináveis” em um post na rede social X. A democrata, que perdeu as últimas eleições para Trump, afirmou:
"O presidente dos Estados Unidos está ameaçando cometer crimes de guerra e exterminar uma "civilização inteira" — tudo porque ele mesmo iniciou uma guerra desastrosa e não tinha plano nem estratégia para terminá-la. Isso é abominável, e o povo americano não apoia isso. A imprudência de Trump está colocando desnecessariamente nossos bravos militares em perigo, destruindo a posição dos Estados Unidos no cenário internacional e tornando a vida ainda mais cara para o povo americano. Devemos todos nos opor a isso e nos opor ao financiamento dessa guerra ilegal por escolha própria", escreveu.
Por Redação g1





