Empresas chinesas anunciam R$ 27 bilhões em investimentos no Brasil

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O governo brasileiro firmou, nesta segunda-feira (12), parceria com a China para investimentos de R$ 27 bilhões.

O valor foi divulgado pelo presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, em encontro empresarial realizado em Pequim. Em discurso, o chefe do Executivo nacional disse que os dois países são “parceiros incontornáveis” e que relação comercial “só vai crescer”.

Foto: Ricardo Stuckert

“Nós queremos exportar mais e também queremos comprar mais. Porque a boa política comercial é aquela que é uma via de duas mãos. Você compra e você vende. É um jogo de ganha-ganha. Não é um jogo de perde-ganha”, declarou Lula.

“Se depender do meu governo e se depender da minha disposição, Brasil e China serão parceiros incontornáveis. A nossa relação será indestrutiva, porque a China precisa do Brasil e o Brasil precisa da China e nós dois juntos poderemos fazer com que o Sul Global seja respeitado no mundo como nunca foi”, continuou.

Lula ainda destacou que potencial da relação comercial Brasil-China é “inesgotável”. “Na última década, a China saltou da 14ª para a quinta posição no ranking de investimento direto no Brasil. Trata-se do principal investidor asiático em nosso país, com estoque de mais de US$ 54 bilhões”, afirmou.

O petista também destacou que ambos os países apostam “na redução das barreiras comerciais” e buscam mais integração. No atual contexto de “tarifaço” de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, Lula criticou quem vê China com receio.

“A China tem sido tratada muitas vezes como se fosse uma inimiga do comércio mundial, quando na verdade a China está se comportando como um exemplo de país que está tentando fazer negócio com os países que foram esquecidos durante os últimos 30 anos por muitos outros países”, falou.

O presidente brasileiro afirmou que “não existe saída para um país sozinho”. “É preciso que a gente tenha consciência que nós precisamos trabalhar junto. É por isso que eu não me conformo com a chamada taxação que o presidente dos Estados Estados Unidos tentou impor ao planeta Terra do dia para noite”, completou.

Lula falou a empresários que o país precisa diversificar a relação comercial com o país asiático, em áreas como engenharia, tecnologia, saúde, defesa e educação. “Tem muita gente que reclama que o Brasil exporta para a China só produtos agrícolas e minério de ferro. Ou seja, só commodities”, apontou.

A China é o principal destino de exportações brasileiras e maior investidor asiático no Brasil. Itens como soja (33,4%), petróleo bruto (21,2%) e minério de ferro (21,1%) representaram 75,6% do total exportado em 2024. Também no ano passado, o Brasil virou maior fornecedor de carne bovina, de aves, soja, celulose e açúcar para os chineses.

“E eu queria só dizer para as pessoas que pensam assim que para que a gente possa fazer investimento em produtos mais refinados, em produto mais sofisticado, com mais ascensão tecnológica, é preciso a gente lembrar que durante muito tempo o Brasil deixou de investir em educação”, continuou.

O chefe do Executivo reconheceu que “o ideal para o Brasil não é ficar exportando soja, se bem que eu gosto de exportar soja, mas é exportar inteligência, é exportar conhecimento. Para isso, não tem milagre”, completou.

Nesse sentido, por exemplo, o petista defendeu abertura de convênios com universidades chinesas “para formar matemáticos aqui, para formar cientistas aqui, para formar físicos aqui, para formar gente capaz de ajudar o Brasil a se desenvolver”.

“Porque a parceria não pode ser só comercial, ela tem que ser cultural. Ela tem que ser mais do que isso. Ela tem que ser científica, tem que ser tecnológica, ela tem que ser acadêmica. Os chineses podem estudar na universidade brasileira e os brasileiros querem vir estudar, sabe? Ah, dizem que é difícil aprender falar chinês. Não, não é difícil porque não começou. O mais difícil foi construir a Muralha da China e vocês colocaram a primeira pedra e ela está construída”, reforçou.

No fim do discurso, Lula disse que essa “troca de parcerias” entre empresas brasileiras e chinesas “não tem retorno”: “Estejam certos de que, daqui para frente, só vai crescer”.

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