Esquema milionário de propina: quais as suspeitas contra a irmã do presidente da Argentina

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Karina Milei é secretária-geral da Presidência e ainda não se manifestou. Gravações de áudio que estão sendo investigadas pela Justiça mostram ex-aliado do presidente argentino a acusando de corrupção na compra de medicamentos para a rede pública.

“Estão roubando. Você pode fingir que não sabe, mas não joguem esse problema para mim, tenho todos os WhatsApp de Karina”, diz ele na mensagem.
A polêmica tem potencial de impactar a governabilidade de Milei, porque expõe o presidente duas semanas das eleições para a província de Buenos Aires e a dois meses das eleições legislativas na Argentina. O chefe do Executivo pode sair enfraquecido caso as urnas reflitam a queda de aprovação de seu governo nas últimas semanas.

Keystone-SDA

A seguir, entenda o caso:

Quais são as acusações?

  • Diego Spagnuolo afirma que havia uma rede de cobrança de propinas na Andis, com exigência de até 8% sobre o faturamento das farmacêuticas para garantir contratos com o governo – o negócio renderia até US$ 800 mil mensais (cerca de R$ 4,3 milhões).
  • Segundo ele, Karina Milei recebia a maior fatia do faturamento, entre 3% e 4% do valor arrecadado.
  • Eduardo “Lule” Menem é apontado como o principal operador do esquema, com apoio de empresários ligados à distribuidora Suizo Argentina.

Quando o escândalo começou?

  • O caso veio à tona com o vazamento dos áudios na quarta-feira passada (20), provocando uma crise inesperada no governo Milei.
  • A repercussão foi imediata, com a Justiça argentina abrindo investigação e realizando buscas na sede da Andis e na empresa Suizo Argentina.
  • Na quinta-feira (21), Diego Spagnuolo foi demitido de seu cargo.
  • A queixa foi apresentada por Gregorio Dalbón, um dos advogados de Cristina Kirchner, e ocorre no momento em que o Congresso acaba de anular o veto de Milei a uma lei que declarava emergência para deficientes e fornecia mais financiamento para o setor. Ele fala em uma “matriz de corrupção”.

Quem são os envolvidos?

  • Karina Milei: irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, acusada de receber parte das propinas. Ela tem uma influência fundamental na hora de decidir quem tem acesso ao presidente e quem não tem e, com poucas exceções, sempre o acompanha em suas viagens e aparições públicas.
  • Eduardo “Lule” Menem: braço direito de Karina, é um dos principais agentes políticos do governo argentino. Ele é apontado como um dos principais líderes da suposta rede de corrupção.
  • Diego Spagnuolo: ex-chefe da Andis, autor dos áudios e agora investigado. É advogado e, até quinta-feira, era frequentador assíduo da Casa Rosada e confidente próximo de Milei.
  • Emmanuel e Jonathan Kovalivker: empresários da Suizo Argentina, empresa intermediária na venda de medicamentos ao Estado. Emmanuel foi encontrado com US$ 266 mil em espécie e Jonathan está foragido.
  • Daniel Garbellini: diretor da Andis, também afastado. Era o elo entre a agência e os irmãos Kovalivker. Spagnuolo o chama de “criminoso” em uma das gravações de áudio vazadas: “Me designaram um cara que cuida de tudo relacionado aos meus cofres”.

Como estão as investigações?

  • A Justiça argentina realizou pelo menos 16 buscas na sexta-feira (22).
  • Nessa operação, foram apreendidos celulares, máquinas de contar dinheiro e centenas de milhares de dólares em espécie: US$ 266 mil – R$ 1,5 milhão, na cotação atual.
  • Spagnuolo é um dos cinco réus até o momento no processo que investiga os supostos subornos, acusações de corrupção, administração fraudulenta e violações à ética pública.
  • O juiz federal Sebastián Casanello, que está cuidando do caso, proibiu a saída dos investigados do país como medida cautelar.
  • A veracidade dos áudios ainda não foi comprovada pela Justiça.
  • Quatro celulares apreendidos durante os mandados de busca, incluindo o de Diego Spagnuolo, ex-chefe da ANDIS e autor dos áudios que deram origem ao caso, estão sendo analisados pela perícia e são considerados provas-chave para confirmar ou refutar as acusações de corrupção.

O que o governo falou?

  • Javier Milei ainda não se pronunciou diretamente sobre o caso. A saída de Spagnuolo foi anunciada por um porta-voz, junto com a intervenção da Andis e a promessa de uma auditoria.
  • Nesta segunda-feira (25), ele demonstrou apoio a irmã e posou sorridente a seu lado em 1ª aparição pública após as denúncias, mas não falou diretamente das acusações. Criticou o Congresso e a imprensa.
  • O chefe de gabinete, Guillermo Francos, afirmou que o presidente está “tranquilo” e sugeriu que se trata de uma perseguição política em meio à campanha eleitoral.
  • Martín Menem, presidente da Câmara dos Deputados e primo de Lule, defendeu os acusados: “Ponho as mãos no fogo por Lule Menem e Karina Milei”, disse, classificando os áudios como uma “monumental operação política”.

Caso pode impactar Milei?

  • O caso tem potencial de impactar aliados de Milei nas eleições legislativas de outubro e na disputa para o governo da província da capital, Buenos Aires, que ocorre daqui a duas semanas.
  • O Parlamento estuda abrir uma CPI para investigar as denúncias contra a irmã de Milei, o que aumentaria o desgaste político.

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