Fome infantil recua quase 30% no Brasil em um ano, mostram dados do MDS

-

No Dia Nacional da Saúde e Nutrição, o país registra o menor patamar de insegurança alimentar grave entre crianças e adolescentes na série histórica do IBGE, iniciada em 2004

o Dia Nacional da Saúde e Nutrição, celebrado em 31 de março, o Brasil apresenta sinais consistentes de melhora no acompanhamento nutricional e na redução da fome entre crianças e adolescentes. Dados recentes associados às políticas públicas do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), combinadas ao fortalecimento de sistemas como o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), apontam avanços nos indicadores de saúde alimentar.

O monitoramento nutricional na primeira infância ampliou seu alcance. Em 2022, 6,2 milhões de crianças menores de cinco anos tiveram peso e altura acompanhados na Atenção Primária à Saúde (APS). Em 2025, dados preliminares indicam 7,9 milhões — crescimento que evidencia a expansão da cobertura nos serviços públicos.

Foto: Lyon Santos / MDS

Entre 2022 e 2025, houve melhora nos indicadores de má nutrição: a magreza acentuada caiu de 2,8% para 1,8%, e a obesidade recuou de 6,4% para 5,7%.

A redução da fome entre crianças e adolescentes acompanha essa trajetória. A parceria entre a Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome (SECF), do MDS, e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) viabilizou o monitoramento da segurança alimentar nos domicílios brasileiros por meio da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia).

Segundo o IBGE, com base na Ebia aplicada à PNAD Contínua: 3,6% das crianças e adolescentes de zero a 17 anos viviam, em 2024, em domicílios com insegurança alimentar grave, ante 4,8% em 2023.

Menor patamar da série histórica do IBGE, iniciada em 2004: o país passou de cerca de 2,5 milhões de crianças e adolescentes em insegurança alimentar grave, em 2023, para 1,8 milhão em 2024 — uma queda de quase 30% em apenas um ano. 

O resultado está associado à combinação de políticas públicas voltadas ao acesso à renda, à alimentação e acompanhamento nutricional, muitas delas coordenadas pelo MDS no âmbito do Plano Brasil Sem Fome.

Entre as iniciativas, destaca-se o Benefício Primeira Infância, do Bolsa Família, que desde março de 2023 garante R$ 150 mensais a famílias de cerca de 9 milhões de crianças de zero a seis anos. Há também o benefício para crianças e adolescentes de sete a 18 anos, que assegura o pagamento adicional de R$ 50 mensais por criança ou adolescente a famílias de cerca de 15 milhões de beneficiários nessa faixa etária.

Estudo da SECF, de 2025, mostra impactos diretos dessas políticas: entre crianças com baixa estatura em 2019, 77% apresentavam altura adequada em 2023.

No mesmo período, 64% das que tinham magreza, atingiram peso adequado, e, entre aquelas com sobrepeso ou obesidade, 57% passaram a ter peso adequado para a idade.

A alimentação escolar também desempenha papel central: em fevereiro de 2026, os repasses do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) foram reajustados, com aumento médio de 14%, somando-se à ampliação de 28% a 35% realizada em 2023. Atualmente, o programa atende 38 milhões de estudantes da rede pública, sendo 7,6 milhões na educação infantil.

Os dados mostram o impacto da escola na segurança alimentar. Em 2024, 8% das crianças e adolescentes de cinco a 17 anos que frequentavam creche ou escola estavam em insegurança alimentar moderada ou grave. Entre os que não frequentavam, o índice era de 16%, o dobro.

No Dia Nacional da Saúde e Nutrição, os resultados evidenciam o papel de políticas públicas integradas na promoção da saúde e no desenvolvimento infantil.

“Os dados mostram que garantir renda, alimentação e acompanhamento de saúde faz diferença concreta na vida das crianças. Quando uma família tem condições de colocar comida na mesa e a criança é acompanhada pelos serviços de saúde e pela escola, por exemplo, os resultados aparecem: melhora o estado nutricional, diminui a fome e contribui para o desenvolvimento. Combater a má nutrição no Brasil exige exatamente isso, políticas públicas integradas que assegurem alimentação adequada e saudável desde a primeira infância”, afirmou Valéria Burity, secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
CAPTCHA user score failed. Please contact us!

Posts Recentes

Júlio César Filho anuncia afastamento do Sebrae para disputar pleito no Piauí

Júlio César Filho deixa o cargo a partir de sábado (4) para se dedicar à pré-campanha como pré-candidato a...

Mais de 80% dos estados aderem a subsídio a diesel importado

Medida prevê ajuda de R$ 1,20 por litro por até dois meses Mais de 80% dos estados brasileiros indicaram adesão...

Após sanção de Lula, confira o que muda na licença-paternidade ampliada

Proposta regulamenta direito previsto na Constituição de 1988 e prevê aumento gradual do benefício até 2029. O presidente Luiz Inácio...

Georgiano Neto confirma que o principal objetivo do PSD é eleger Júlio César ao Senado

O deputado reafirmou a relação recíproca do partido com o MDB, com o qual mantinha fusão cruzada. No ato de...

Você ronca toda noite? Saiba que esse distúrbio pode estar sobrecarregando o coração

O ronco pode ser um alerta para problemas cardiovasculares, segundo especialistas; entenda Barulho ao dormir nem sempre é apenas incômodo...

Após estupro na delegacia, SSP-PI passa a exigir antecedentes de terceirizados

Nova portaria estabelece verificação obrigatória de idoneidade e antecedentes criminais para trabalhadores contratados por empresas que prestam serviço ao...

Bolsonaro critica lockdown e diz: “O povo brasileiro não tem medo do perigo”

“Nós sabemos quem são os vulneráveis, os mais idosos...

Maioria do TSE mantém decisão que declarou Bolsonaro inelegível

Em julgamento virtual, ministros negaram recurso do ex-presidente A maioria...

Você também pode gostar
Recomendado para você