A Justiça Eleitoral do Piauí condenou a vereadora Tatiana Medeiros (PSB) a 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão, além do pagamento de 492 dias-multa. A decisão também determina a perda do mandato e a proibição de exercer função pública, além de indenização solidária de R$ 1 milhão por danos à coletividade.
A sentença foi proferida nesta segunda-feira (27) por um colegiado de três juízes eleitorais, formado devido à complexidade do processo. A parlamentar foi condenada por organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato-desvio, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro.

De acordo com a decisão, ficou comprovada a atuação de um grupo estruturado, com divisão de funções, que atuava na captação de eleitores, controle de votos e movimentações financeiras irregulares. O esquema também teria utilizado uma entidade social para intermediar benefícios em troca de apoio político.
O juízo rejeitou os argumentos das defesas que apontavam nulidade de provas e cerceamento de defesa. Os magistrados entenderam que não houve prejuízo processual e que os elementos reunidos são suficientes para sustentar a condenação. Também foi negado o direito de recorrer em liberdade aos apontados como líderes do esquema.
Detalhamento das penas
Tatiana Medeiros foi condenada por cinco crimes, com as seguintes penas:
Organização criminosa (com agravante de comando): 7 anos, 6 meses e 21 dias de reclusão
Corrupção eleitoral (95 vezes): 2 anos, 7 meses e 21 dias de reclusão
Peculato-desvio (12 vezes): 3 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão
Falsidade ideológica eleitoral: 1 ano de reclusão
Lavagem de dinheiro: 4 anos, 9 meses e 5 dias de reclusão
A soma resultou na pena final de 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão.
Prisão e investigação
A vereadora foi presa em 3 de abril de 2025, durante a operação Escudo Eleitoral II, da Polícia Federal. A investigação apontou suspeitas de compra de votos, uso de recursos ilícitos na campanha de 2024 e possível ligação com organização criminosa.
Inicialmente, ela ficou custodiada em unidade da Polícia Militar e, posteriormente, passou para prisão domiciliar por decisão judicial, com base em laudos médicos que indicaram transtorno mental. A medida foi mantida após reavaliação, diante do entendimento de risco à ordem pública.
Atualmente, Tatiana Medeiros permanece em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, afastada do cargo e proibida de frequentar a Câmara Municipal de Teresina ou manter contato com servidores.
Outras pessoas envolvidas
Além da vereadora, outras oito pessoas foram denunciadas no processo, entre familiares, assessores e colaboradores ligados a uma entidade social investigada. A audiência de instrução ocorreu em novembro de 2025, no Fórum Eleitoral de Teresina, e durou cinco dias.
Defesa
A defesa da parlamentar informou que analisa a sentença e não comentou o mérito da decisão até o momento.





