Órgão tenta barrar arquivamento de investigação sobre lavagem ligada a postos.
O Ministério Público do Piauí recorreu da decisão que anulou o desdobramento das investigações de operação Carbono Oculto, com o objetivo de impedir o arquivamento do caso. A medida, leva em consideração o conjunto robusto de provas reunidas ao longo da investigação.

A decisão que trancou o inquérito foi assinada pelo juiz Valdemir Ferreira Santos, da Central de Inquéritos de Teresina. O magistrado acolheu argumentos das defesas de empresários investigados, que apontaram supostas irregularidades no uso de relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
Com isso, foram anulados os relatórios de inteligência financeira e demais elementos produzidos a partir desses dados, além da determinação de retirada de parte das provas de outras investigações relacionadas.
O juiz baseou a decisão em entendimento recente do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que estabelece critérios mais rigorosos para o compartilhamento de informações do Coaf, exigindo investigação formal prévia e autorização judicial.
Apesar da decisão, o Ministério Público sustenta que há um volume significativo de provas independentes que sustentam a continuidade do caso. A estratégia agora é recorrer para reverter a anulação e evitar que a investigação seja definitivamente arquivada.
O inquérito apurava suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo os empresários Haran Santiago Girão Sampaio e Danilo Coelho de Sousa, do setor de combustíveis no Piauí, com possíveis conexões com organizações criminosas de outros estados, incluindo o PCC.

Na decisão, o magistrado também apontou falhas na condução do inquérito, destacando que ele foi instaurado em setembro, mas só chegou ao Judiciário meses depois. Além disso, fez críticas à atuação do Ministério Público, mencionando possível exposição indevida de informações durante coletiva de imprensa.
A defesa dos investigados não se manifestou até o momento. O caso segue em nova fase, com a expectativa de análise do recurso apresentado pelo Ministério Público.
Com informações do Conecta Piauí





