Novo modelo científico propõe compreender o autismo como uma constelação; entenda a proposta

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Abordagem multidimensional, que substitui a ideia de um espectro linear, busca refletir melhor a complexidade biológica e individual da condição.

Pesquisadores estão propondo um novo modelo para entender o autismo, substituindo a ideia tradicional de um espectro linear por uma abordagem baseada em “constelações” ou perfis multidimensionais. Enquanto o espectro tenta classificar as pessoas em uma linha entre “leve” e “grave”, o novo modelo mapeia eixos independentes, como habilidades de linguagem, processamento sensorial e interação social, criando uma forma geométrica única para cada indivíduo.

A mudança surge em resposta às limitações do modelo atual. O conceito de “espectro do autismo”, proposto nos anos 70 pela psiquiatra Lorna Wing, nasceu para ser inclusivo, desmontando categorias rígidas. No entanto, agrupar condições muito distintas sob o mesmo rótulo tornou o diagnóstico pouco específico. Duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem não compartilhar características comuns, o que cria obstáculos tanto para a pesquisa científica quanto para a prática clínica.

Estudos recentes têm demonstrado que o autismo possui raízes biológicas distintas. Uma grande pesquisa publicada na revista Nature Genetics em 2019, liderada por cientistas como Benjamin Neale e Anders Børglum, utilizou grandes bancos de dados genéticos para identificar subtipos clínicos específicos dentro do autismo. Os resultados sugerem que não há um único “gene do autismo”, mas centenas de variações que interagem de formas únicas.

“Isso significa que tratar pessoas de subtipos biologicamente diferentes como se fossem iguais dificulta o avanço da medicina de precisão. A psicóloga Amy Pearson, da Universidade de Durham no Reino Unido e que se identifica como autista, alerta para as limitações de focar apenas nos subtipos. Em entrevista à New Scientist, ela afirma que “subtipos não capturam a multidimensionalidade do desenvolvimento”. Pearson ressalta que indivíduos autistas, como qualquer pessoa, mudam ao longo da vida, e que os subtipos são apenas aproximações grosseiras da experiência real.”

Por isso, a proposta das constelações visa a um retrato mais fiel e útil. A pergunta central deixa de ser “o quão autista essa pessoa é?” e passa a ser “quais são as forças e as dificuldades específicas desse indivíduo?”. Essa abordagem já encontra eco na comunidade autista, que nos últimos anos tem adotado a metáfora da “roda de cores” para representar a diversidade de suas experiências, rejeitando o rótulo uniforme do espectro linear. A mudança no modelo visa libertar a sociedade e os próprios profissionais da saúde de estereótipos, pavimentando o caminho para apoios mais personalizados e eficazes.

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