Quem é Amir Hossein Maghsoudloo, rapper iraniano condenado à morte por insultar o Islã

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Cantor se tornou popular entre os jovens da República Islâmica por desafiar a teocracia do Irã; suas letras tornaram-se cada vez mais políticas após a morte de Mahsa Amini, em 2022, detida por usar o véu de forma ‘inadequada’.

O rapper Amir Hossein Maghsoudloo, conhecido como Tataloo, enfrenta uma sentença de morte no Irã após ser condenado por “insultar as santidades islâmicas”, de acordo com a Associated Press.

Ele está preso desde o final de 2023, quando foi condenado, inicialmente, a cinco anos de prisão por blasfêmia. Mas a Suprema Corte do Irã revogou a decisão e remeteu o caso a um outro tribunal, que condenou Tataloo à morte em janeiro deste ano.

O rapper também enfrenta outras condenações separadas, incluindo promoção da prostituição e corrupção moral.

A música de Tataloo se tornou popular entre os jovens da República Islâmica por desafiar a teocracia do Irã em uma época em que a oposição ao governo do país era fragmentada e em grande parte sem liderança.

As letras do rapper tornaram-se cada vez mais políticas após a morte, em 2022, de Mahsa Amini, uma jovem de 22 anos que foi presa durante as férias com a família por usar o véu mostrando um pouco de cabelo. Uma onda de protestos tomou o país logo depois e muitas jovens deixaram de usar a vestimenta obrigatória.

Tataloo também apareceu em videoclipes que criticavam as autoridades. No mês passado, a Suprema Corte iraniana confirmou a sentença de morte dada pelo tribunal e disse que ela “está pronta para execução”.

Polêmico e controverso

Tataloo iniciou sua carreira musical em 2003 como parte de um gênero underground da música iraniana que combina estilos ocidentais de rap, rhythm and blues e rock com letras do alfabeto persa.

Mesmo sem nunca ter se apresentado publicamente no Irã — onde shows precisam de aval do Ministério da Cultura —, o rapper conquistou notoriedade com o lançamento de seu primeiro álbum, em 2011.

Tataloo discursa durante seu julgamento no Tribunal Revolucionário em Teerã, Irã, em 23 de abril de 2024 — Foto: Mostafa Roudaki/Mizan News Agency via AP

Apesar da trajetória marcada por atritos com o regime, em 2015, Tataloo surpreendeu ao aparecer em um videoclipe em apoio à Guarda Revolucionária e ao programa nuclear iraniano, criticado pelo Ocidente. Ele nunca explicou o gesto, mas foi interpretado como uma tentativa de aproximação com o governo, talvez na esperança de suspender a proibição de viagens contra ele.

Dois anos depois, apoiou publicamente o linha-dura Ebrahim Raisi na campanha presidencial contra o moderado Hassan Rouhani. Embora derrotado naquela eleição, Raisi venceu em 2021 — e morreu em um acidente de helicóptero em 2024.

Em 2018, Tataloo, então com problemas legais no Irã, mudou-se para a Turquia, destino comum de artistas persas em busca de liberdade criativa e shows lucrativos.

Ele também ganhou popularidade nas redes sociais, com transmissões ao vivo e tatuagens chamativas que cobriam o rosto e o corpo.

Mas o Instagram desativou sua conta em 2020, depois que ele convocou meninas menores de idade para se juntarem ao seu “time” para sexo. Ele também admitiu ter usado drogas.

“Apesar de ser um rapper controverso, Tataloo tem uma grande base de fãs no Irã, conhecidos como ‘Tatalities’”, disse Holly Dagres, pesquisadora sênior do Instituto de Política do Oriente Próximo de Washington, à Associated Press.

“Ao longo dos anos, eles inundaram as redes sociais com mensagens de solidariedade a ele e até fizeram campanha pela libertação do rapper no passado, quando ele foi detido por acusações distintas.”

Mas a música parou para Tataloo no final de 2023. Ele foi deportado da Turquia depois que seu passaporte expirou e foi imediatamente detido ao chegar ao Irã.

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