Por Gleison Fernandes – Jornalismo da UCA.
A mais recente campanha publicitária do programa “Meu Celular de Volta”, lançada pelo Governo do Piauí, revelou um erro grave de concepção e execução, expondo a falta de sensibilidade e preparo da equipe de comunicação, além da ausência de liderança efetiva do governador Rafael Fonteles diante da repercussão nacional negativa que o episódio gerou.

O vídeo, que mostra dois jovens negros furtando o celular de um homem branco, provocou forte reação nas redes sociais e em entidades do movimento negro. Em um estado marcado por um histórico de desigualdades raciais, a peça publicitária acabou reforçando estereótipos e trazendo à tona o debate sobre o racismo estrutural e a incapacidade do governo de lidar com temas sensíveis com responsabilidade e consciência social.
Mais do que uma falha pontual, o episódio evidencia um fracasso de gestão comunicacional. A justificativa da Secretaria de Comunicação — de que os atores escolhidos seriam influenciadores locais — soou como uma tentativa de minimizar um erro inadmissível, sem reconhecer o impacto simbólico e o contexto histórico da representação exibida. A resposta oficial, considerada tímida e descolada da realidade, apenas ampliou o desgaste.
O próprio governador Rafael Fonteles, ao optar por apagar o vídeo de suas redes sociais sem apresentar um posicionamento claro, demonstrou omissão e fragilidade. A crise se intensificou após críticas públicas vindas de diversos setores, que classificaram a segurança pública no estado como “um desastre”.
A ausência de uma retratação firme e a demora em reconhecer o erro agravaram a perda de credibilidade. Para especialistas e comunicadores, o caso é emblemático de uma comunicação institucional ultrapassada, insensível e desconectada da sociedade que deveria representar.
O episódio do “Meu Celular de Volta” deixa uma lição amarga: em tempos de redes sociais e vigilância constante, não basta apagar um conteúdo para resolver uma crise. O secretário de Comunicação gosta de falar muito, mas permanece calado sobre o caso. Fala aí, Nolleto.







