Pesquisadores do IFPI estudam ocorrência inédita no município para definir características, qualidade e potencial de exploração do material
Uma nova ocorrência de opala de coloração predominantemente verde foi identificada em Castelo do Piauí, a cerca de 190 quilômetros de Teresina. A descoberta foi apresentada na segunda-feira (31) por pesquisadores do Instituto Federal do Piauí (IFPI) e pode ampliar o mapa de municípios piauienses com registros da gema.

O material ainda está sendo estudado e, neste momento, os pesquisadores não afirmam que se trata de uma nova variedade de opala. As análises deverão apontar as características minerais, a qualidade das pedras, a extensão da ocorrência e o possível potencial de aproveitamento comercial.
A descoberta foi apresentada na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi) pelo geólogo e professor do IFPI, Érico Gomes, e pela pró-reitora de Extensão da instituição, Divamélia Gomes.
Castelo entra no mapa da opala
A identificação da ocorrência coloca Castelo do Piauí entre os municípios do Estado associados à presença da opala.
Até então, Pedro II e Buriti dos Montes eram as principais referências quando se falava na exploração da gema no Piauí.
Em Pedro II, destaca-se a opala nobre, conhecida pelo chamado “jogo de cores”, efeito óptico que provoca diferentes reflexos na pedra e aumenta seu interesse para a produção de joias.
Já em Buriti dos Montes, a principal ocorrência é de opala de fogo, que pode apresentar tonalidades amarelas, alaranjadas e avermelhadas. Segundo os pesquisadores, a extração da gema no município ocorre desde a década de 1940.
A ocorrência encontrada em Castelo apresenta uma característica que chama atenção: a predominância da cor verde. No entanto, somente os estudos poderão determinar como esse material se enquadra entre as variedades de opala já conhecidas.
Estudos vão definir potencial da descoberta
A identificação da pedra é apenas o primeiro passo. Agora, os pesquisadores precisam avaliar a composição do material, suas propriedades físicas, a qualidade das gemas e o comportamento da pedra durante o processo de lapidação.

Também será necessário verificar a extensão da área mineralizada e a quantidade de material existente.
Essas informações serão fundamentais para saber se a ocorrência possui características diferenciadas e se apresenta volume suficiente para uma possível exploração.
A opala é formada por dióxido de silício hidratado e pode apresentar diferentes cores e efeitos ópticos. Dependendo de sua estrutura e composição, o material pode ter maior ou menor valor para utilização em joias e peças ornamentais.
Descoberta pode fortalecer cadeia produtiva
Além da importância científica, a nova ocorrência também desperta interesse pelo possível impacto econômico.
Érico Gomes participa do Arranjo Produtivo Local (APL) da Opala, que reúne pesquisadores, mineradores, artesãos e empreendedores ligados à cadeia produtiva da gema.
Uma das principais discussões é justamente fazer com que uma parcela maior do beneficiamento seja realizada no próprio Piauí.
Atualmente, parte da produção é comercializada ainda em estado bruto. A ideia dos pesquisadores é ampliar investimentos em capacitação, tecnologia, empreendedorismo, lapidação, ourivesaria e fabricação de joias, aumentando o valor agregado dos produtos e a geração de emprego e renda nos municípios produtores.
“Essa opala de Buriti dos Montes é extraída desde 1940. Com o tempo, foi descoberta a opala de Pedro II, e elas sempre foram comercializadas na forma bruta. No momento em que a gente conseguir levar capacitação, empreendedorismo e inovação para a lapidação, a ourivesaria e a fabricação de joias, estaremos gerando emprego e renda também para os municípios do consórcio”, afirmou Érico Gomes.
Região possui outros minerais
Castelo do Piauí também está inserido em uma região de grande diversidade mineral.
O município faz parte de um consórcio intermunicipal formado por seis cidades que possuem registros de minerais como quartzo, cristal, ametista e opala.
A aproximação desses municípios com o APL da Opala está sendo discutida pelos pesquisadores. A proposta é desenvolver ações conjuntas voltadas para capacitação, inovação, empreendedorismo e beneficiamento dos minerais encontrados na região.
A transformação da pedra bruta em produtos acabados pode aumentar significativamente seu valor comercial. Processos como seleção, corte, lapidação e fabricação de joias permitem que uma parcela maior da riqueza gerada pela atividade permaneça nos próprios municípios produtores.
Por enquanto, a opala verde de Castelo do Piauí continua sendo estudada. Os resultados das próximas análises deverão mostrar se a ocorrência representa apenas um novo registro mineral ou se poderá abrir caminho para uma nova frente de exploração e desenvolvimento da cadeia de pedras preciosas no Piauí.





