Criminosos passaram a utilizar ferramentas de inteligência artificial para criar imagens falsas de cães e gatos e aplicar golpes financeiros nas redes sociais e aplicativos de mensagem. A prática tem sido registrada principalmente em publicações envolvendo animais desaparecidos, resgatados ou colocados para adoção urgente.
As fraudes utilizam fotografias geradas por IA com aparência realista para despertar comoção e estimular transferências via PIX. Em muitos casos, os golpistas simulam histórias de abandono, acidentes ou resgates recentes, acompanhadas de pedidos de ajuda financeira para custear transporte, medicamentos, vacinas ou hospedagem temporária.

O golpe também atinge tutores de animais desaparecidos. Criminosos se apresentam como pessoas que teriam encontrado o pet e exigem pagamentos antecipados para informar localização, realizar devolução ou “garantir” cuidados ao animal.
Com a popularização das plataformas de inteligência artificial generativa, a produção dessas imagens se tornou mais rápida e sofisticada. As fotografias apresentam alto nível de detalhamento e, muitas vezes, dificultam a identificação imediata da fraude por usuários comuns.
Em grupos de proteção animal, relatos de golpes desse tipo passaram a circular com mais frequência nos últimos meses. O principal alvo são pessoas emocionalmente abaladas pela perda de um animal ou usuários sensibilizados por campanhas de adoção e resgate.
Os criminosos costumam explorar o senso de urgência para reduzir o tempo de verificação das vítimas. As mensagens geralmente trazem informações sobre risco de morte, necessidade imediata de adoção ou supostos custos emergenciais. A pressão emocional é utilizada para acelerar transferências financeiras antes de qualquer confirmação da veracidade do caso.
Especialistas em segurança digital alertam que algumas características podem indicar o uso de imagens produzidas por inteligência artificial. Entre os sinais mais comuns estão olhos desalinhados, patas com anatomia inconsistente, sombras incoerentes, objetos deformados e padrões repetidos no fundo da fotografia.
Outro comportamento recorrente é a recusa de encontros presenciais ou chamadas de vídeo. Quando questionados, os suspeitos alegam problemas de deslocamento, falhas de conexão ou situações emergenciais para evitar qualquer comprovação em tempo real da existência do animal.
Ferramentas de busca reversa de imagens podem ajudar na identificação das fraudes. Plataformas como Google Lens permitem verificar se a fotografia já foi utilizada anteriormente em outros perfis, anúncios ou páginas suspeitas. Apesar disso, imagens inéditas geradas por IA nem sempre são detectadas nesses sistemas.
Organizações de proteção animal orientam que qualquer pedido financeiro seja tratado com cautela. A recomendação é evitar transferências antecipadas, confirmar a identidade de protetores independentes e desconfiar de perfis recém-criados ou com pouca atividade nas redes sociais.
Em casos de desaparecimento de animais, especialistas também recomendam centralizar informações em canais oficiais e compartilhar apenas contatos confirmados dos tutores.
O avanço desse tipo de golpe mostra como a inteligência artificial passou a integrar esquemas de engenharia social na internet. Com imagens cada vez mais realistas e conteúdos produzidos para provocar reação emocional imediata, cresce a necessidade de checagem antes de qualquer pagamento, compartilhamento ou negociação online.





