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Seis capitais têm mais de 80% de lotação de UTIs para Covid-19

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E o número pode ser maior, já que Recife e Macapá, por exemplo, não informaram dados, mas seus estados apresentam taxas elevadas de lotação, de mais de 70%.

A ocupação de leitos de UTI para pacientes graves da Covid-19 no país voltou a preocupar especialmente nas três capitais do sul do país, que, no início da pandemia registravam relativo controle da doença, e em Vitória, no Espírito Santo.

Foto: Felipe Dana

Também voltaram a subir as internações em Manaus, cidade cujas imagens de enterros em série nas valas coletivas rodaram o mundo.

Em ao menos seis capitais (Vitória, Florianópolis, Porto Alegre, Curitiba, Manaus e Rio de Janeiro), a ocupação de leitos de UTI estaduais chega ou supera 80%, segundo levantamento da Folha de S. Paulo com prefeituras e governos estaduais. E o número pode ser maior, já que Recife e Macapá, por exemplo, não informaram dados, mas seus estados apresentam taxas elevadas de lotação, de mais de 70% – e leitos de UTIs tendem a se concentrar a maioria nas capitais.

No Sul, há excesso de pacientes graves com Covid-19 em todas as capitais. São 87,76% dos leitos de UTI ocupados em Florianópolis, 85,38%, em Porto Alegre, 85,39%, e 82%, em Curitiba.

No Paraná, 56% de UTIs, em geral, receberam pacientes da doença, mas em Curitiba alguns hospitais particulares estão trabalhando com capacidade máxima.

Diante do avanço da pandemia na cidade, a prefeitura suspendeu cirurgias eletivas (não urgentes), mas também autorizou a volta às aulas de crianças com menos de dez anos em escolas particulares. O comércio também continua aberto na capital. O ensino público presencial, estadual e municipal, no entanto, tende a retornar somente no ano que vem.

Santa Catarina tem aumentado seus números de contaminados. No estado, a ocupação das UTIs, na terça, era de 75,66%, e Florianópolis está sob “risco gravíssimo”. Nos últimos feriadões, as cenas foram de praias lotadas, o que influenciou o surgimento de uma segunda onda de Covid-19 na cidade.

A governadora interina, Daniela Reinehr (sem partido) recebeu diagnóstico de Covid-19 na última semana. Ela chegou a apagar das redes sociais uma mensagem em que pedia para a população usar máscara.

O Rio Grande do Sul tinha 74,9% das UTIs ocupadas. Na capital gaúcha, onde a ocupação era de 85,39%, há hospitais com ocupação total, como o Moinhos de Vento, segundo os dados da prefeitura.

Porto Alegre havia sido considerada região de “risco alto”, no mapa divulgado pelo governo gaúcho na última sexta-feira (13). Porém, após recurso do município, o governo considerou a capital gaúcha como “risco médio”, sem restringir serviços e atividades econômicas.

O prefeito da capital, Nelson Marchezan Jr. (PSDB) anunciou na terça (17) que seu exame deu positivo para Covid-19. “Meus sintomas são leves e estou em casa, cumprindo isolamento. Aproveito para pedir novamente que os porto-alegrenses não descuidem dos protocolos e, se sentirem algum sintoma, que procurem nossa rede de saúde”, escreveu Marchezan em uma rede social.

No Sudeste, a região metropolitana de Vitória é a mais lotada de pacientes da Covid-19 no país, com taxa de 87,8% nas UTIs. A rede soma leitos públicos e privados, filantrópicos e federalizados contratados ou contratualizadas pela gestão de Renato Casagrande (PSB). O estado registrou 172.924 casos e 4.037 mortes relacionadas à doença.

No Amazonas, todas as UTIs se concentram na capital, a primeira a sofrer colapso na rede de saúde. Enquanto sobe a taxa de ocupação dos leitos no Estado, hoje de 82%, reduziu-se de 223 para 142 o número de leitos só para a doença desde agosto.

Na última terça-feira (17), Manaus superou a marca de 3.000 mortos na pandemia. No mesmo dia, a Prefeitura de Manaus publicou um decreto que mantém fechada, até 31 de dezembro, a praia da Ponta Negra, principal balneário público da capital.

Também merece atenção o vizinho Pará, entre os estados que mais reduziram leitos da doença na pandemia. Na capital, Belém, a taxa de ocupação é de 73%, mas em geral os leitos distribuídos pelo estado mantêm índice de 50%.

No Rio, o aumento da doença voltou a preocupar. Na capital, 80% das cerca de 520 vagas de UTI públicas (somando as redes municipal, estadual e federal) estavam cheias na última terça (17). Se for considerada apenas a rede municipal, a ocupação era de 97% dos 251 leitos municipais da capital estão lotados com apenas oito leitos vagos.

A disparada fez a Secretaria Municipal de Saúde enviar uma carta interna às coordenações de atenção primária da cidade na última semana: “Vivemos um expressivo aumento do número de atendimentos de síndrome gripal, casos confirmados e internações por Covid-19 nas últimas semanas”, alerta o comunicado.

A lotação também se deve à redução dos leitos nos últimos meses. O único hospital de campanha que sobrou foi o da prefeitura, já que a gestão do governador afastado Wilson Witzel (PSC) fechou todas as suas unidades. O governo federal também desativou as poucas vagas que existiam no Hospital de Bonsucesso após um incêndio em outubro.

Em São Paulo, a ocupação de leitos aumentou no mês de novembro, de 40% no início do mês para 43%. As internações em geral, que incluem pacientes em enfermaria e UTI, eram 6.650 no começo do mês e na segunda-feira (17) eram 7.705. Os números referem-se à média móvel nos sete dias até a data indicada.

Apesar disso, a ocupação de UTIs ainda é menor que a registrada no último levantamento, em 10 de agosto; nessa data, era de 59% tanto no estado quanto na capital paulista. Na capital paulista, a lotação era de 52% na segunda.

No Centro-Ceste, antes com baixos índices de pacientes graves, Campo Grande registrou nesta semana 76% de ocupação nas UTIs. Se for considerada apenas leitos SUS, a taxa é de 83%, mas a prefeitura utiliza leitos contratados da rede privada para dar conta dos casos de internação decorrentes da Covid-19. No estado, a situação é mais confortável, com taxa de ocupação de UTIs em 29%.

No Amapá, estado que vive situação de caos com o apagão elétrico nas últimas semanas, também convive com o avanço da pandemia. São 79% dos leitos de UTI para Covid-19 ocupados no estado, que chegou a cancelar cirurgias eletivas durante a falta de fornecimento de energia.

Minas Gerais, que não divulga separadamente leitos gerais do SUS de leitos reservados para a Covid-19, tem 62,9% de ocupação de UTIs -18,3% de leitos ocupados com casos relacionados à doença até quarta-feira. Minas teve 387.751 casos confirmados e 9.605 mortes até quarta-feira (18).

Belo Horizonte tem 33,5% dos leitos de UTI para Covid ocupados. Por ora, segundo o infectologista Carlos Starling, membro do comitê de enfrentamento à Covid-19 da prefeitura, não há indicativo de novo fechamento do comércio na capital mineira, que segue com algumas restrições de dias e horários. Para abertura de escolas, diz ele, foi estabelecido o critério de menos de 20 casos para 100 mil habitantes como parâmetro de segurança.

Nos últimos dez dias, Pernambuco precisou mobilizar novamente leitos de UTI destinados a pacientes com síndrome respiratória aguda grave devido ao aumento de casos. No dia 7 de novembro, a taxa de ocupação dos leitos de UTI/Covid ficou em 81% e voltou a preocupar as autoridades sanitárias.

O governo ampliou, na última semana, a oferta de vagas. Passou de 780 para 833. Nesta terça-feira (18), 73% dos 833 leitos estavam ocupados. No início de agosto, o índice era de 63% para o quantitativo de 868 vagas.

Estão com patamares mais controlados, no Centro-Oeste, Cuiabá (29% de leitos ocupados) e Goiânia (42%), algumas capitais do Nordeste, como Maceió (taxas de 26%), São Luís e Aracaju, ambas com 37%. O local com maior tranquilidade da doença é Palmas, com apenas 10% dos 76 leitos em uso para pacientes da Covid-19.

Por Folhpress

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